Cartão de
unicidade, todo lugar tem um símbolo, uma marca de originalidade, seja como
destino apetecível ou malogrado de afastamento. São murmurejos inaudíveis de
arrebatamento irrefreável que reclamam o viajante, como aos marinheiros as
sereias. Na ânsia de beliscar a alma, fui engodado pelos cicios de dois
símbolos hawaianos: crepúsculos orlados de palmeiras, engalanadas de preto na
contraluz, e surfistas de cabeça-dura
mas espírito ligeiro. Foi no Finding Nemo
que me foram apresentados pela primeira vez com o epíteto de desportistas
náuticos. Delícia de animação gráfica, transpõe para os gigantes amistosos toda
a humanidade hawaiana. Nos folhetins de viagens são peças de merchandising, para os hawaianos
símbolos de uma paz rotineira incompreensível aos ocidentais, para mim um
abraço desprendido de ingresso no planeta virgem.
Os ocasos não
são acaso e galanteiam-nos diariamente na imensidão do oceano. Já as tartarugas,
pensei a certa altura serem mitos inacessíveis para quem despende uma só semana
da vida para os presenciar. Mais um cromo da colecção de expectativas de viagem
que vai esmorecendo até passar a bailar na mente como utopia pueril, gerada
pela ânsia do desconhecido e dilatada pelo marketing enganoso (dói-me a barriga
cada vez que me lembro dos turistas ingleses que fazem safaris no interior
algarvio para ver zebras). Porém a fé tem dessas matemáticas estranhas. Custa
até vermos o primeiro milagre mas depois sucedem-se em catadupa. Vi a primeira
ao fim de seis dias. Deliciei-me com mais de uma dezena de gigantes verdes
pachorrentos no sétimo e oitavo dia.
Revivo hoje a sensação inexprimível de me envolver nos mantos azulados lado a lado com estrelas da National Geographic. Dezanove meses atrás, no calor da refrega decerto os meus urros submersos de realização genuína aturdiram toda a comunidade piscícola local. Por entre carícias na carapaça, meneios de cintura como que a testar os limites da interacção e as permissividades na intimidade, damejei-as como adolescente apaixonado.
3 comentários:
Não encontrámos o Nemo... :(
Mas estas criaturas ao vivo são verdadeiramente fascinantes... Acaso guardaste o contacto delas para quando lá voltarmos? :)
.....................
(inveja? :D)
Tenho os contacto sim. Podes pôr o bikini na mala ;)
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