Terça-feira, Setembro 27, 2011

Paixão

Olho e interrogo-me, onde está a propalada emancipação feminina? Voltámos ao amor fatalista e às paixões violentas?

Amor à primeira vista ou fruto do acaso, medrou em espaço público, lá onde o recato e a intimidade são ausências, e o alarde é partilha sincera. Relação libertina, na verdade quase promíscua, revela em palco afectos avessos.

Umas vezes sussurra toques de rara sensibilidade. A cabeça cola-se-lhe à face e os dedos afagam-lhe a pele maquilhada, aconchegando notas, em suaves gemidos de puro prazer.

Outras vezes desmancha-se em desabafos de brutalidade extrema. E então é vê-la no ar, a rodopiar, refém dum elo invisível, vítima de pontapés que desafiam a gravidade, cúmplice de joelhos que rangem os limites das suas articulações.

É como que um bailado ritmado de sonhos e tradições, meneado em harmonia pela união paradoxal de ternura e brutalidade. O movimento exalta o som das soalhas que tangem ao ritmo do sentimento e da saudade…

A pandeireta emudeceu-se por instantes, mas o hino à Paixão do Pandeireta continua a ecoar no palco…


Fernando/Hugo Repolho