Amor à primeira vista ou fruto do acaso, medrou em espaço público, lá onde o recato e a intimidade são ausências, e o alarde é partilha sincera. Relação libertina, na verdade quase promíscua, revela em palco afectos avessos.
Umas vezes sussurra toques de rara sensibilidade. A cabeça cola-se-lhe à face e os dedos afagam-lhe a pele maquilhada, aconchegando notas, em suaves gemidos de puro prazer.
Outras vezes desmancha-se em desabafos de brutalidade extrema. E então é vê-la no ar, a rodopiar, refém dum elo invisível, vítima de pontapés que desafiam a gravidade, cúmplice de joelhos que rangem os limites das suas articulações.
É como que um bailado ritmado de sonhos e tradições, meneado em harmonia pela união paradoxal de ternura e brutalidade. O movimento exalta o som das soalhas que tangem ao ritmo do sentimento e da saudade…
A pandeireta emudeceu-se por instantes, mas o hino à Paixão do Pandeireta continua a ecoar no palco…
Fernando/Hugo Repolho

1 comentários:
Cada um com sua paixão :)
O importante é ter pelo menos uma...
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