Longe da selva de turismo empacotado, de hotéis e infra-estruturas feitas pela medida da tradição local comum a todos os parques exóticos espalhados pelo mundo, do Oriente a Ocidente, do Hemisfério Norte ao Hemisfério Sul, foi longe desses parque chapa cinco que descobri a beleza das ilhas. El Morro del Jable, local turístico, capa de revistas da especialidade e pólo de atracção de viajantes do Mundo poderia ser um local fabuloso. Desértico, com praias extensas, adamastores de areia branca nas encostas e o mar azul celeste irradiando a serenidade divina. 


(Gruas de apoio ao próximo hotel no cimo da falésia)
Cara virada para o mar e permitindo-me apenas uma ligeira rotação para o interior este é o cenário que os meus olhos enxergam. Tento esqueço por momentos os hotéis acocorados no fundo dos vales ou pior os complexos de betão gabarolas empoleirados no alto de ravinas, onde a paisagem deveria pertencer aos caminhantes afiliados da natureza e da virgindade paisagista. Guiados pela estandardização global desrespeitam a patente de tradição e cultura local. A grande maioria feia e completamente descontextualizados crescem como erva daninha para albergar turistas do mundo moderno sedentos de exotismo de postal igual em todo o lado do mundo. Para ligar os hotéis longas avenidas cheias de palmeiras, símbolo do exotismo brasileiro exportado para todo o mundo, e lojas de chineses os artesãos do planeta. Pedia-se apenas um pouco de bom senso e respeito pela identidade local.
Desconheço se apenas adiado ao avanço dos empreiteiros ou sabiamente resguardado como tesouro para quem preza a conservação, a costa norte do Morro del Jable é local praticamente virgem. A estrada termina onde o último Hotel anuncia uma estadia de sonho. Daí para a frente apenas terra, pó, pedras e ao fundo o mar azul.
Curvas e contra-curvas, sem iluminação humana, guiámo-nos pelos trilhos de marcos apagados dos mapas. Como meta a praia de Cofete. Para lá chegar cerca de 30 km de terra batida. Inicialmente docemente ondulada nos vales que correm para o mar, transforma-se depois numa estrada de montanha com declives de respeito e imponência de uma paisagem agreste. Paisagem vulcânica no seu melhor.

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