Sem grandes marcas internacionais e variedade de escolha reduzida ou nula, em Cuba os cursos de publicidade e marketing seriam rampas para o desemprego na certa. Já a propaganda política encontra-se bem enraizada e aparentemente com margem de progressão. Não contribui directamente para a produtividade do país mas certamente dá uma ajuda indispensável na condução do rebanho e rememoração dos princípios básicos das Caraíbas Cubanas.

Nas cidades ou no campo os outdoors não publicitam o design inovador do último Seat Leon ou as potencialidades da última geração de portáteis da Sony. Sem preocupações com a velhice, que aparenta ser epidemia do Homem do velho continente, os cosméticos encabeçados pela Laeticia Casta foram também eles Castrados. Exaltando os heróis da revolução, os dias marcantes de libertação do povo, os mártires reais e os recentemente ficcionados na luta contra o capitalismo sanguinário ou apontando o dedo às falsas democracias, os cartazes de propaganda estão disseminados pelo território cubano.

“De pequenino é que se torce o pepino”, ditado popular com materialização escrupulosa em Cuba. Algures no meio do território central de Cuba passámos por uma escola primária. A tenra idade é altura propícia para estimular as ideias socialistas nas mentes dos jovens cidadãos ainda na linha de montagem. Espalhados pelo recreio, para além dos habituais equipamentos de divertimento juvenil, um conjunto de tabuletas com dizeres revolucionários. A analogia poderá parecer estranha mas a imagem que me veio à cabeça foi a de um parque de condução. As regras de civismo rodoviário substituídas pelas leis de comportamento do estado socialista, numa pista onde o trilho marcado não deixa muita margem para a invencionice ou auto-recriação. Para bem do senhor de barbas espera-se neste caso que o povo cubano seja mais cumpridor do código das estradas que o congénere português…
Terça-feira, Dezembro 04, 2007
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