Domingo, Dezembro 09, 2007

Pombal Humano

Pensava ser a base de Guantanamo a única área territorialmente cubana vedada aos locais mas enganei-me. Varadero, destino de eleição de milhares de turistas de todo o mundo é provavelmente a região menos cubana da ilha. Com cancela à porta os 60 km de península e areais fotográficos são local non grato para os cubanos. Em Guantanamo poderão entrar como prisioneiros, em Varadero entram apenas como trabalhadores e desde que estritamente necessários (não vá ficarem ofuscados e infectados pela opulência do estilo de vida dos turistas). Distribuídos ao longo dos 60 km de areal branco e mar azulão, as jóias dos grandes grupos hoteleiros agrupam-se por número de estrelas. Do 0 ao 60 um crescente de visibilidade térrea acentua o brilho estelar dos hotéis. Fora da península, na costa oculta dos mapas internacionais, o brilho é cimeiro. Milhares de estrelas crepitam sobre a penumbra dos areais, por hora cubanos. Sem paredões vidrados, piscinas de cloro ou manjares reais reina a paz de quem vê os areais molhados pelas águas celestes como barreira do mundo ocidental.
São pulseiras douradas ou prateadas de plástico reles, mas açulam a felicidade dos visitantes. À chegada cada um recebe a sua anilha, a dádiva de liberdade para acesso gratuito a tudo aquilo que foi já pago antecipadamente. Como pombas vidradas vagueiam pela área do hotel usufruindo de tudo o que este possa oferecer. Às refeições a balbúrdia semelhante ao lançamento de milho no banco de jardim. Esquecendo os modos que praticam em casa correm para os restaurantes, refeitórios comuns engalanados pela decoração garbosa que imprime ares de sultania, comendo como se não houvesse amanhã. Compreende-se aqui o porquê da impossibilidade da gratuitidade como padrão. Aparentemente ela envilece a postura do homem e ao contrário do que seria de esperar acentua o egoísmo.
Bronzeados e relaxados conhecem de Cuba os camareros, o mar azul e quente, a meteorologia abençoada e a gama completa de misturas alcoólicas locais. Férias de sonho iguais a tantas outras possíveis em todas as unidades hoteleiras do género espalhadas por todos os países exoticamente pobres...

1 comentários:

Marta disse...

De Varadero... fiquei desapontada. Quando lá cheguei pareceu-me a praia de Carcavelos (não desfazendo mas prefiro Caparica, Costa Vicentina, alguns sitios recôndidos do Algarve). Foi aquela sensação de... "Disto há lá em Portugal!"
Valeu a viagem de Katamarã, com paragem para uma festa aos golfinhos "turista-made" e a praia de "Cayo Blanco". Aí sim, senti-me no paraíso.