Sábado, Dezembro 08, 2007

Che, Ícone Revolucionário

Mausoléu de Ernesto Guevara em Santa Clara

Figura soberbamente exaltada, é incontornável passar por Cuba e permanecer alheio à efígie de Ernesto Guevara. Odiado ou amado, só a indiferença não parece ser sentimento presente ao olhar de frente o retrato do jovem guerrilheiro. Aclamado como figura central da revolução cubana e associado ao socialismo mundial, fica hoje clara a sua demarcação do politiquismo sectário. O epíteto comunista do Estado surgiu após a revolução pelo que associar Che somente ao movimento comunista é reduzi-lo aos combatentes de causas políticas e elites ideológicas distantes portanto da defesa do povo pelo povo, como era sua intenção. Afastando o romantismo e fantasia que envolve a personagem ficam também os relatos de acções inumanas e por vezes mesmo brutais contra todos aqueles que se ergueram no caminho das suas convicções. Pichado nas paredes, impresso em cartazes, estampado nas camisolas, à venda nas livrarias, representado em esculturas de ferro, esculpido em estátuas, a figura de Che Guevara tem certamente mais aparições que a do menino Jesus. Aliás, não é de hoje a comparação entre a imagem bíblica do Cristo ocidental de barbas e olhar distante e a foto capturada por Korda, em 1960, do Comandante Che Guevara. Pelo distanciamento que me é permitido atrevo-me a afirmar que os intentos originários do cristianismo e os princípios ideológicos defendidos pelo Comandante são afinal bastante similares. Ambos se batem pelo humanismo, pela defesa dos desprotegidos da sorte, pela fraternidade e igualdade entre os Homens. São chavões de boas intenções mas estou convencido da sua real importância e credibilidade na génese do movimento celeste pela cruz de Deus e mais recentemente térreo pelas mãos de Che.
A diferença é, porém, clara num ponto fulcral. A religião alheia-se de responsabilidades e põe nas mãos de um ser divino ficcionado a tarefa de estabelecer os limites de fraternidade e humanismo. Todos que o seguem são assim ilibados de responsabilidade pelo facto de responderem apenas diante de quem jamais se poderá apresentar na Terra. Os utópicos acreditam no poder das suas acções e na capacidade individual de mudar o mundo. É, portanto, uma posição mais corajosa mas também mais responsabilizadora dos actos individuais. Ambas são, porém, irrealizáveis pois batem-se com a própria essência humana. Muitas vezes cruel e desumana é também responsável pela insatisfação e curiosidade que nos fazem avançar.
Em Cuba um herói da revolução, na Bolívia a criação do mártir, na Argentina um filho amado, para os revolucionários um modelo de vida, para todos os inconformados um ídolo, para a Humanidade o maior Revolucionário dos tempos modernos, um Homem incorruptível e leal às suas convicções na defesa dos fracos e oprimidos custe o que custasse...

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1 comentários:

Marta disse...

De Che Guevara ficou-me uma situação em que uma colega de viagem (e amiga) estava escolhendo um souvenir de vestuário (vulgo "t-shirt") e a sra. da loja, muito prestativa, lhe mostrou uma com a cara do dito. E ela, como não é muito virada para aí, fez uma cara de "nem-por-isso". Resposta da sra. com uma cara de "não-posso-acreditar":
"-Non te gusta Che??!?!?!"
:D