Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Areal branco

Terminado o périplo possível pela realidade cubana, ficaram os últimos dois dias reservados para a letargia hoteleira de Varadero. Dois dias de praia e repouso. A primeira noite em Varadero foi marcada pelo fogo-de-artifício de relâmpagos naturais, orquestrada pela batida dos trovões que ribombavam nos céus. Um cenário fabuloso de raios e coriscos a riscar os céus em direcção às montanhas ou naufragados no mar. Fado meteorológico para os ateístas, ou manifestação da indignação da Natureza perante tamanho fosso nas condições de vida, o espectáculo não podia estar mais de acordo com o estado de espírito dominante no final da viagem. Terminada a noite parece também o mundo ter esquecido a realidade deixada para lá da cancela que separa a península de Varadero. Um dia de sol estupidamente quente onde a própria brisa cortava a respiração. Um dia de lassidão debaixo dos chapéus de chopo, comida farta a todas as refeições e mordomias hoteleiras. Entende-se facilmente a atractividade destes locais como destinos de viagens de finalistas. Finalistas do secundário, da licenciatura ou mesmo das preocupações que nos rodeiam… Desde pequeno que sofro de hiper-actividade. Acordado ou a dormir não consigo estar parado. Sinto que a vida me foge quando a preencho com espaços de remanso físico ou cognitivo. Ao fim do primeiro dia já tinha experimentado quase todas as actividades lúdicas oferecidas pelo hotel. De lado ficaram os jogos de colectividade anunciados incessantemente nos microfones espalhados pelo complexo. Um grupo de animadores, semelhante ao esquadrão gay da SIC versão desportiva, alicia todos os clientes para competições entre nacionalidades. Uma espécie de campo de férias do Big Brother com tarefas agendadas para todos os residentes do hotel e prémio de bom comportamento. Última noite nas Caraíbas, céu estrelado e um bafo quente apelam à festa. Foi assim sem surpresa que o grupo de portugueses se juntou a uma festa de jogos de areia. Desvirtuámos o concurso e conseguimos pôr toda a gente a rir como crianças felizes. Para final de festa e em jeito de comemoração o sketch pornográfico da noite. Perdemos os jogos sem fronteiras para os Argentinos mas ganhámos nas comemorações. Em trajes menores ou mesmo pelados dos 16 aos 61 todos foram ao banho na maré da meia-noite.
Mesmo debaixo de protecção lunar e os astros aparentemente alinhados numa conjugação favorável os pecados terrenos não passam despercebidos aos olhos da mãe natureza. Como resultado um novo mapa estampado nas costas. Exactamente 74 picadas de mosquitos. O tesouro? Esse ficou guardado no segredo dos Deuses…

1 comentários:

Marta disse...

A minha despedida também foi trovoada e relâmpagos. Não tive a sorte de tantas actividades experimentar (a hiperactividade aqui do Repolhito não se nota nada... naaaaaaaaa).
Adorei as fotos.
Espero que o tesouro tenha valido a pena :)
Beijo