Domingo, Setembro 09, 2007

Turismo primário

A actividade terciária do turismo encontra-se em Cuba paradoxalmente primária.
Beleza natural nula, obras arquitectónicas pobres e desgastadas pelo tempo, museus e monumentos uma amostra minimalista e sensabor, em Havana, mais do que em qualquer outro local, o turismo faz-se valer da vivência com a população e observação da realidade diária cubana. Como cartão de visita o apelo ao contacto próximo com o mito de uma das últimas sociedades anti-americanas e resistente à cavalgada triunfal do capitalismo.Não obstante a importância como suporte das finanças nacionais, o turismo em Cuba é ainda uma arte mal explorada. Apanhados de cuecas pela invasão repentina dos conquistadores do século XXI, a grande maioria dos locais turísticos apresenta-se segundo modelos antiquados e insensíveis à harmonia estética.
Parcial e propagandista, no Museu da Revolução a história recente do país é narrada pelos vencedores em folhas de papel cavalinho enriquecidas na máquina de escrever, recortadas à mão e coladas em cartolinas de papelaria. Enaltecem-se os feitos descura-se a arte de transmissão.
Onde os Portugueses teriam erguido um padrão dos Descobrimentos, os Americanos erigiram um Capitólio de soberba. Majestoso e central em Cuba, a réplica cubana do Capitólio de Washington remonta ao início do século, altura dos espectáculos de marionetas presidenciais patrocinadas pelo Tio Sam. Pela tentativa utópica de decalque modelo americano, o ponto zero das auto-estradas cubanas (é verdade, elas existem) é precisamente no centro da cúpula do Capitólio sob vigilância estática da terceira maior estátua indoor do mundo. Os guardiães da entrada petrificaram pela demora no regresso do dono, mas tornam claro a impossibilidade de prolongar indefinidamente o corte de domínio do vizinho do Norte. Fatalidades…

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