Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Tropicana, Broadway das Caraíbas

Tropical como o clima, sensual como as cubanas, ritmado como as rumbas, a Tropicana é uma montra de luxo das capacidades artísticas do povo cubano. Construída na década de 30 nos arredores de Havana, esta casa de espectáculos sobreviveu às mudanças de regime, mantendo ainda hoje o título de maior cabaret do mar das Caraíbas. Debaixo de céu estrelado, rodeado por palmeiras, o público é colocado em meio circulo ao redor do palco, ao estilo dos anfiteatros gregos.
Apesar da denominação e contrariando a prática ainda vigente nos cabarets de Paris o espectáculo não incluía seios desnudos ou movimentos eróticos (uma pena…). No palco sucederam-se danças e cantares cubanos, exercícios de ginástica olímpica e pequenas encenações teatrais. Apesar de distanciada das evoluções culturais dos países ocidentais, a Tropicana exibe um show digno das melhores casas de espectáculo do género existentes por esse mundo fora.

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Com mais de mil lugares a Tropicana é uma fábrica de fazer dinheiro. Para ter direito ao ingresso dourado tive de abdicar dos corsários, da regata e das hawaianas. Fossem só as restrições modistas e seria tranquilo, mas a exigência de pagamento de 80 pesos (2000 pesos cubanos, 64 euros) com direito a 5 azeitonas, 3 cubos de queijo, 2 tiras de fiambre, 1 copo de champagne e ¼ de garrafa de rum, é um autêntico roubo. O espectáculo foi 5 estrelas, mas não nos podemos esquecer do local onde tomou lugar. Umas contas de algibeira apressadas fazem-me chegar à quantia de 80 000 pesos de lucro diário! Sendo o salário médio cubano cerca de 10 pesos, a quantia amealhada por esta mina daria para alimentar 240 000 cubanos por mês.

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Mais do que um monte de papeis burocráticos a serem explorados e revistos ao sabor das necessidades pessoais de cada um, em Cuba as leis são levadas a sério. Dia 30 de Julho, dia dos mártires da revolução é dia de reflexão e de eternização dos heróis que tornaram possível o sonho socialista. As festas e celebrações tomam lugar dia 26 enquanto o 30 é reservado para dia Zen. Assim sendo, toda e qualquer festa tem trancas à porta durante 24 horas. Foi assim com alguma surpresa que os cerca de 1000 clientes da Tropicana viram o palco encerrar à meia-noite em ponto.
Saindo pelo portão da mansão, todo o glamour esvanece-se novamente. A realidade interina da Tropicana é como uma ilha descontextualizada da pobreza circundante. Separado pelos muros de tijolo e pelo mural da capacidade económica, este é um local proibitivo para os Cubanos. Júlio o taxista do Lada que nos levou de volta ao hotel frequenta todas as noites a Tropicana, mas apenas do lado de fora…

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