Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Férias Ideológicas

Isolados do Mundo pelo embargo ditado pela hipocrisia Americana, vendados pelo socialismo interno, a única forma de aportar na ilha do Caimão é pelo ar. Poupam-se os enjoos do balanço e o chamamento das sereias no Triângulo das Bermudas.
Acossados pela irreverência vizinha, os Americanos excluíram os Cubanos do jogo de bola e proibiram, sobre pena de represálias no tabuleiro de sobrevivência mundial, que outras nações passassem a bola. Luas da criançada com implicações na dignidade de vida de muitos, julgados por outros como Homens de segunda.De dimensões reduzidas e aspecto gasto, o aeroporto reflecte o estado de um país parado no tempo, mas não esquecido. Atraídos pelo caldo azul turquês, pela chama viva do ícone Che ou pela simpatia/aversão pelo bastião Comunista, milhares de turistas são descarregados diariamente pelos aviões.

São turistas alheados da pobreza local viajando em nuvens cor de rosa, outros resistentes em busca da confirmação da praticabilidade do ideal comunista, outros hipócritas que põem de lado convicções ideológicas contrárias em tempo de férias e os restantes, nos quais me incluo, turistas do Mundo sequiosos de culturas e povos distantes.
Mimetizado por momentos como antena de escuta do aparelho estatal registei uma conversa pitoresca. Indignado com a sugestão de compra de uma t-shirt do Che, um Português, certamente pertencente aos "partidários direitinhas" em férias de convicções, levado pelas tendências da moda hoteleira até ao covil reduto do papão, responde:
“Dar vinte euros por um trapo com a cara de um comunista? Deves estar doida!”
Paira no ar uma questão, comprar uma t-shirt é equivalente a uma filiação no Kremlin, mas contribuir com algumas centenas de contos para a indústria turística Cubana, actualmente um dos pilares da frágil economia, já é aceitável?

Sem distinção de raça ou filiação seguidista, à chegada a Cuba o ar quente fustigou todos por igual. Não houve distribuição de rum e as trabalhadoras – meninas de limpeza, empregadas de lojas e seguranças do aeroporto – a desfilarem com bandoletes à cintura serviram apenas para aumentar a sede e deixar um brilhozinho nos olhos.

Estou de novo nos trópicos…

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu também não dou 20 euros por um trapo!! Pelo menos tento não dar!! Mesmo que tenha a cara de um comunista!!

Zé David disse...

Uma coisa salta-me à vista de terceira foto: o carro com aspecto novinho em folha. Sempre tive a impressão que em cuba só havia cadillacs dos anos 50, autênticas banheiras.
Quanto à t-shirt, apesar de não ser propriamente comunista, fascina-me, e não me escandaliza dar 20 euros por uma e andar com ela na rua, afinal é só uma t-shirt com pinta.