Terminado mais um dia de visitas guiadas pela cidade de Havana trocámos o marasmo solarengo da piscina no terraço do hotel pelo rebuliço citadino. Como destino os mojitos do empedrado 207 em Havana a Velha.
Sem autocarro da cubanacan disponível o jeito foi recorrer aos transportes públicos. A panóplia de opções é um catálogo de veículos requintados, com o selo de garantia do ferro velho. Táxis dos gangs norte-americanos, carros de espionagem soviéticos, autocarros escolares americanos dos anos 50 e o velho rasteirinho, localmente conhecido como “Camelo”. Apesar das bossas metálicas, o aspecto nada altivo faz com que o famoso autocarro urbano de Havana se afigure mais com uma anaconda do que com um dromedário. Esquecendo o aspecto e focando apenas a carga humana transportada entende-se a designação de camelo. Em Portugal poderia muito bem ser apelidado de Burro de Carga…
Pelos apertos previstos e calor infernal a opção recaiu sobre uma estirpe de veículos desconhecida. Amarelos da cor da banana, redondos como as laranjas, os “Coco Táxis” fazem furor entre a “criançada”. Sem rivalidades excessivas e plenos de espírito desportivo organizámos uma verdadeira street race pela capital cubana. 4 cocós transportando 10 tugas em competição pela chegada à Bodeguita del Médio.
Três rodas, uma aerodinâmica tampão e instabilidade assombrosa, quase valeram um beijo no chão das curvas apertadas. Valeu a experiência da nossa condutora, uma cubana bem parecida, mãe de família e alegre por natureza com uma panca descomunal. Desde corta-mato a transgressão de sentidos proibidos tudo fizemos para obter a pole position, mas o peso da “carga” não ajudou.
Sem vencidos e poucos vencedores o prémio foi distribuído equitativamente em copos de vidro decorados de relva do prado e com trilha sonora habanera. Local eternizado pela clientela famosa que recebeu, a Bodeguita del Médio é o bar-restaurante mais famoso de Havana. As paredes espichadas de alto a baixo são testemunhas mudas dos milhares de clientes do bar, exibindo sem pudor as mensagens crivadas.
De regresso ao hotel não fomos apanhados pelos radares de velocidade mas sim pelos fiscais dos transportes. Descrentes do socialismo do povo, todas as profissões são fiscalizadas para garantir que não há fugas aos rendimentos comunitários. Com um polícia por cada 6 habitantes é fácil entender porque é que Cuba é um dos locais mais seguros do Mundo. Seguro e vigiado…
1 comentários:
"...mas o peso da “carga” não ajudou." pois é! os músculos também pesam! o que é que tu julgas? nem tudo são rosas!! :))) lol ;)
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